Se o moinho do primeiro post é o mais bem preservado de todos, este é sem dúvida o mais emblemático.
Situa-se em Lamadeiras, no limite dos concelhos de Valpaços e de Chaves. Foi ao longo da vida, certamente, testemunha de muitas aventuras. Por se situar num paraíso, tudo lhe era permitido.
São célebres algumas das histórias que se contavam sobre os moleiros, muitas delas transformadas em lendas. Não faltava quem garantisse a pés juntos que saíam as bruxas no cruzamento da Ponte Velha, em Lamadeiras. Nunca ninguém as viu mas toda a gente tinha a certeza de existirem e fazerem malvadezas próprias de bruxas, incluindo raptos e ataques pessoais. Outros, talvez menos dados a coisas do além, caracterizavam esses eventos, como doenças do foro psíquico de algum dos intervenientes. Como sempre na vida, todos os problemas podem ter, pelo menos, duas caracterizações.
Quem sabe se por causa disso ou por outra qualquer das vicissitudes em que a vida é pródiga, o principal alvo dos ataques de bruxaria, nunca casou, apesar de se lhe reconhecer seis filhos, todos e só, da mesma mulher.
Não tenho a certeza em que década terá terminado esta atividade em Pedome, posso no entanto confirmar que neste mesmo ribeiro, mais a montante, um pouco acima da ponte da Pulga, funcionou um moinho até à década de oitenta do passado século.
Talvez um empreendedor, nesta vaga dos novos povoadores possa pôr um destes moinhos de novo a funcionar. Pelo menos que algum deles venha a ser recuperado, para turismo rural ou qualquer outra atividade. Por exemplo: Motel Lamadeiras.
Ficará assim preservada a memória coletiva, ela própria já recheada de histórias, algumas verdadeiras lendas e, todas elas, partes integrantes da História.
Lamadeiras não é um refúgio, é um Memorial.
Armando Sena