A Ocidente Trás os Montes


O nosso Reino, encravado entre montes e vales, poderá, numa divisão livre e pessoal, estar localizado entre o Tâmega e o Rabaçal.

Seja qual for a divisão ou os limites que se imponham, não faltarão belezas naturais e riqueza de espírito por ele dispersos. Tomando como referência o local da foto, a Bolideira, virado a ocidente, para o Larouco, tem-se a perceção do paraíso aqui encerrado. Este é, seguramente, o reino da liberdade, um reino sem monarca, propriedade das suas gentes e de portas abertas ao mundo, ao bom estilo transmontano.

Armando Sena

Pedome Da cura e da amargura Trás os Montes


Esta era uma das mais imponentes casas de Pedome. Quando havia necessidade de recorrer a alguém que caridosamente administrasse uma injeção, era aqui que se recorria.
A entrada da casa criava no entanto dois sentimentos antagónicos: por um lado a cura que as injeções da Tia Irene provocavam nas maleitas que nos apoquentavam, por outro, a certeza que ao passar a porta a probabilidade de se ser mordido pelo cão dos donos da casa, era quase total.
A necessidade da cura, superava sempre a amargura!

Contribuidor Armando Sena

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Zeca Soares                                                              Armando Sena                                          Luisa Pinheiro                                                                                                                                                                                                
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Boas festas


Um feliz Natal a todos.
Com chuva ou sem ela, que não falte o polvo à mesa e a alegria dos bons momentos, envoltos na nostalgia que é o Natal.
Boas festas

Armando Sena

Mensagem do Movimento de Resistência Pedomense

O site do qual somos administradores pretende ser um espaço de vivência e partilha, congregando aqueles que amam Trás-os-Montes em geral e as terras entre Tâmega e o Rabaçal em particular.
Como espaço aberto que é, pretende-se que possa receber as contribuições de todos aqueles que as desejem ver publicadas, sendo que para isso as deverão enviar para endereço riolivre@outlook.fr http://portugalriolivre.blogspot.pt/2014/01/increver-se_30.html
A sua visita e/ou participação será muito bem-vinda, desde já o nosso muito obrigado, Equipa Rio Livre.


 https://youtu.be/5VBg9qLq8cQ    


(texto do vídeo, reportando-nos à Mensagem de Fernando Pessoa, este Quinto Império representa o valor universal de cultura e de espírito registado na alma de cada um de nós e toda a humanidade...)

" O Quinto Imperio está a chegar… ah ! ah ! Esta mensagem de difusão limitada, continuará seguramente um segredo entre nós. É como uma garrafa lançada ao mar neste mundo da internet, levando dentro o objetivo de afirmar nesta antiga terra de Rio Livre, a nossa identidade de combatentes, por certo esquecidos, mas em Pedome nunca vencidos hé! hé!
Agora és parte de nós, através deste Movimento de Resistência Pedomense, sigamos então esse espírito de liberdade... Não digas a ninguém, isto deve continuar confidencial, Chuuut ! Palavra de PédeHomem caramba… ha! ha! ha! "





Nadir Afonso Trás os Montes

Nadir Afonso era uma pessoa simpática, carismática, com quem me habituei a cruzar nas ruas de Chaves. Era para além disso, um grande artista, um dos maiores de Trás-os-Montes e, com enorme orgulho próprio, nunca deixou de ter aquele toque transmontano que tanto nos orgulha.
Hoje, morreu um grande homem. A ele, a minha homenagem.

Armando Sena


Nadir Afonso nasceu em Chaves, em 1920, e estudou arquitetura na Escola de Belas-Artes do Porto. Partiu para Paris em 1946 para estudar Pintura. Por intermédio de Portinari obteve uma bolsa de estudo do governo francês. Colaborou com Le Corbusier. Mudou-se depois para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com Oscar Niemeyer. Trabalhou como arquiteto até 1965 ao mesmo tempo que desenvolvia trabalho como pintor abstracionista.
Tinha completado 93 anos no dia 4 de dezembro.
Foi distinguido em 1967 com o Prémio Nacional de Pintura, em 1969 com o Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso e ainda condecorado com o grau de Oficial (1984) e de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (2010).
A última grande exposição do pintor realizou-se no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e também no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em 2010, e também foi alvo de uma retrospetiva em 1970, na Fundação Calouste Gulbenkian.
O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e o Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa dedicaram grandes exposições ao pintor, em 2010.

Armando Sena   Fonte: Público

Dias de geada Trás os Montes


Depois de semanas de inclemente geada, enche-se o chão de carambina, esbara-se ao menor descuido, caem as folhas e secam as ervas, com a severidade do gelo.
Das árvores, nos dias de sinceno, desprendem-se candiotos, os gelados de quem não sabia o que eram gelados.
Ganha a vista e regala-se o corpo e a alma recostado à volta da lareira.
Felizes os ditosos que se lembraram de programar a matança do porco para esta altura.O frio conserva as carnes, a geada aguça a vontade do calor que o lume dá.
Já lembra o fumeiro!

Armando Sena

Os advogados têm uma bastonária Trás os Montes


As mulheres transmontanas estão em grande. Depois de Assunção Esteves ter chegado à Presidência da Assembleia da República, é a vez de Elina Fraga ser eleita como a nova Bastonária da Ordem dos Advogados. Uma boa notícia para Trás-os-Montes. 
Votos de sucesso na sua nova missão e que na sua bandeira estejam sempre presentes os valores e sentimentos transmontanos.


Elina Fraga, de 43 anos, foi eleita nova bastonária da Ordem dos Advogados para o triénio 2014-2016, sendo a segunda mulher a ocupar o cargo que estava nas mãos de Marinho e Pinto.
A actual vice-presidente do conselho geral da Ordem dos Advogados, de acordo com os resultados provisórios, contou com 6175 votos de um total de 20.199, o que corresponde a 31%. Na corrida eleitoral existiam seis listas, sendo que a que ficou mais próxima da de Elina Fraga foi a encabeçada por Vasco Marques Correia, que conseguiu 3446 votos, ou seja, 17%

 Armando Sena  Fonte: Público

O Fuso Trás os Montes


Em estado ainda precoce, em Pedome, a Roca toma o nome de Fuso. Só mais tarde, quando aberta, se chama Roca.


Quando se encontra uma, costuma-se dizer: "Roquinha roqueiro, apareça o companheiro", pois sabe-se que não existem isoladas! Foi o caso deste Fuso, tinha quatro companheiros e todos com um sabor divinal.
Fica aqui a foto de um dos companheiros.

Armando Sena


Mimos de Outono Trás os Montes




Que tal, estas coisas dão-nos saudades de Pedome. E depois, vêm as  nozes e prova-se o vinho novo, pois a aguardente já deve estar provada.
É assim esta terra que nos deu luz.

Armando Sena

Pedome



A mais antiga referência da nossa localidade após a criação de Portugal, remonta à época medieval. Em 1130 a nossa terra estava entregue ao Dom Fernando Mendes (Os Brangançãos) cunhado de Afonso Henriques que veio a ser o primeiro rei de Portugal em 1143, integrando na mesma altura a " Quinta de Pedome " ao território Português.

Mais tarde, é concedida carta de foral entre 1187 e 1199 com Sancho I  filho do rei de Portugal, criando o concelho de Bragança. Nesses primeiros tempos do reinado, havia muitos inimigos da coroa, por isso o povo teve a obrigação de defender o território principalmente contra os castelhanos. Assim começou a edificação da Fortaleza de Monforte como posição militar (Inquirições Gerais 1258 e Julgado Medieval de Rio Livre 1267 pelo quinto Rei de Portugal Afonso III).
A terra " de Pedome " era anexa de Labasam (Lebução) uma aldeia com igreja São Nicolau, que pertencia à paróquia de Sancti Johannis de Castineyra (Igreja São João Cimo de Vila da Castanheira) na Diocese de Coimbra.

Em 1273 Afonso III concede novo foral a Rio Livre, e a sua povoação recebe título de Vila, dando origem ao concelho de Monforte de Rio Livre, fronteira do norte de Portugal.Durante os reinados seguintes de Dom Dinis (1279) até Dom Manuel I (1521), os monarcas nunca deixaram de fortificar a defesa e o povoamento de Monforte.
Nesse período dos grandes descobrimentos para Portugal, a diocese de Miranda do Douro é criada no ano de 1545, da qual vai depender o concelho Monforte de Rio Livre.  Em 1563 o registo dos batismos e casamentos passa a ser obrigatório, (assim como o registo dos óbitos na data de 1614).
Despois de 4 seculos no auge da época dos decobrimentos, Portugal perde a sua independência em 1581 para a coroa de Espanha. Durante e após a restauração da independência, Monforte de Rio Livre foi local de grandes lutas entre 1640 e 1668, altura em que foi determinada a modernização das defesas do Castelo por Dom João IV (Duque de Bragança) vencedor da guerra de restauração e aclamado como o 21° Rei de Portugal.

Os domínios de Monforte foram mantidos até 1750 pelo Rei Dom João V, com o decorrer dos anos, em declínio face a Bragança, Miranda unifica a sede da Diocese, criando a partir de 1780 a nova Diocese Bragança e Miranda.
Entretanto, a Vila de Monforte encontrava-se despovoada (381 habitantes) e a fortificação caiu em ruina, tendo a sede do município sido tranferida em 1836 para Lebução dado o seu crescimento populacional e desenvolvimento comercial (município tinha 8465 habitantes em 1849.).No início do Regime Liberal, o velho concelho de Monforte de Rio livre foi extinto, abandonando assim o Castelo de Monforte e sua povoação em favor de Valpaços que foi elevada a categoria de Vila em 1853.

No fim do século XIX Portugal conhece grandes perturbações políticas e sociais que desacreditaram a monarquia, assim o Rei Dom Carlos I e seu herdeiro foram assassinados em 1908, facto que levou à implantação da républica em 5 de outubro de 1910.
Os anos seguintes, com a participação na primeira Guerra Mundial, foram conturbados, culminando num golpe militar em 1926 que pôs fim a primeira républica Portuguesa, iniciando-se uma ditadura com Gomes da Costa e continuando por Salazar e Marcelo Caetano, a qual so terminaria em 1974.
Considerando que as colónias eram inseparáveis de Portugal, Salazar iniciou a " guerra do Ultramar " mas, sem resultados militares de relevo e com o aumento dos custos da defesa, Salazar contribuiu ainda mais para o empobrecimento de Portugal.
Durante a década de 60 fugiram 10% da população portuguesa (muitos Pedomenses) ao serviço militar e à pobreza, emigrando para França, Alemanha...

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Contribuidor Zeca Soares


Origens Trás os Montes


Castelo de Monforte de Rio Livre



No século XIII, com a progressiva afirmação e centralização do poder régio, o sistema baseado nas terras começa a entrar em decadência e os tenentes a ser esvaziados das suas funções. Paulatinamente, essas nomenclaturas começam a desaparecer na documentação, passando, nos finais do século XIII, a haver referências aos julgados, espaços civis e judiciais, confiados a juízes de nomeação régia (BARROCA 2003). Se as civitates corresponderam a um modelo condal e as terras a um modelo senhorial, os julgados corresponderam à afirmação do modelo régio, ou seja, à política de centralização do poder e de controlo da nobreza, levada a cabo por Afonso III e por D. Dinis (BARROCA 2003). 
A partir de meados do século XIII começam a surgir nos castelos portugueses novas soluções arquitectónicas, vocacionando-os agora para uma “defesa activa”, característica do castelo gótico, feito não só para resistir aos assédios inimigos, mas também para contra-atacar. Em 1258, nas Inquirições de D. Afonso III relativas ao julgado de Rio Livre (Batocas), surge a referência ao nome de uma paróquia:“parrochia SanctiPetri de Batocas”
(cit. in TEIXEIRA 1996), que se identifica com o mons/monte ou civitate/civitatelia de Batocas .No século XIII, surgem as vilas fortificadas de iniciativa régia, com funções de capitalidade sobre um território mais ou menos vasto, o respectivo termo. Em 1273, D. Afonso III concedeu carta de foral a “hominibus populatoribus de villa mea de Montefort i de Rio Livre”(cit.in GOMES 1993), na tentativa de fomentar o seu povoamento, denominando-se agora Monforte de Rio Livre. 
No reinado do mesmo monarca, procedeu-se à reconstrução do Castelo e das suas muralhas após as guerras contra Leão. Esta reconstrução foi concluída no reinado de D. Dinis, ficando o Castelo dotado de torre de menagem e sendo ampliada a muralha da vila. Face ao carácter de vila fronteiriça, a fundação da mesma parece representar uma iniciativa associada à estabilização e consolidação da fronteira Norte do Reino, defendendo um eixo natural de penetração no território nacional (TEIXEIRA 1996).O Castelo de Monforte sofreu várias obras de recuperação militar e civil nos séculos seguintes, nomeadamente nos reinados de D. Fernando, D. João I e D. Manuel I. As dificuldades de manutenção e povoamento da vila encontram-se bem evidentes quando em 1420 foi instituído o couto de homiziados, por D. João I, pois “dicta vjlla he muj desfraudade por seer mujto no stremo e por razam das guerras passadas”(cit.in GOMES 1993), com o propósito de aumentar o povoamento e garantir a defesa do território à custa dos homiziados, que, em contrapartida, logravam alcançar o perdão (MORENO 1986), ou quando D. João II determina que “os moradores das aldeias e casais a um alégua de distancia, se recolhessem e viessem morar continuamente muros adentro da vila”(cit.in TEIXEIRA 1996). 
Em 1512, foi concedido novo foral à vila por D. Manuel I, na tentativa de evitar o seu despovoamento. Os forais outorgados a um território despovoado ou raiano, como no caso de Monforte de Rio Livre, apresentam como particularidade uma certa ligeireza fiscal, com o intuito de favorecer a fixação das populações nas zonas mais agrestes (CASTRO 2002). No numeramento de 1527-1532, viviam na vila apenas trinta moradores, quando vários lugares do seu extenso termo, com 862 moradores distribuídos por 44 aldeias, ultrapassavam já aquele número (GOMES 1993). Em 1796, a vila encontrava-se “quasi despovoada e arruinada, pois não tem mais do que cinco moradores, três dentro dos demolidos muros e dous da parte de fora”(cit.in TEIXEIRA 1996)
A vila persistiu até meados do século XIX, embora nunca tenha sido demasiado povoada, até que, em 1853, foi abandonada devido à extinção do concelho de Monforte de Rio Livre, em consequência das reformas administrativas de Mouzinho da Silveira.

Fonte-> http://www.academia.edu/727478/Castelo_de_Monforte_de_Rio_Livre


Contribuidor Zeca Soares


Boletus Edulis e o Crescente Fértil Trás os Montes


Diz-se que o crescente fértil estava localizado, algures, no médio oriente. Não tendo dados para contrapor tal teoria, atrevo-me no entanto a questionar a existência de apenas um.
Pedome brinda-nos com prendas inusitadas que nos fazem apreciar ainda mais a sua natureza generosa. Depois das batatas, o vinho e entre este e as castanhas, sem qualquer cultivo ou trabalhos que não sejam os de os descobrir, os “Niscarros”. E aqui estão eles, os primeiros, dos castanheiros, de seu nome original Boletus Edulis. E que grande que é o prazer de os apanhar, só ultrapassado, eventualmente, pelo de os comer.

Armando Sena


Origens Trás os Montes

Povoamento e organização do território nas regiões

de Chaves, Vila Real e Lamego (Séc. IX – XIV)



(esquerda) Alto-Tâmega. Fortificações e Castelos cabeça-de-Terra (Sécs. XI-XII).
(direita) Alto-Tâmega. Vilas urbanas fortificadas (Sécs. XIII-XIV). Vila de fundação régia (quadrado negro). Vilas novas cuja fundação não teve sucesso (quadrados cinzentos).


O terceiro e último “momento” que elegemos nesta abordagem é o que corresponde à afirmação e consolidação do espaço da monarquia portuguesa cuja estruturação pleno medieval expressa já um outro modelo de organização do território, com amplos reflexos na distribuição e enquadramento das populações, nas formas do habitat e também nas características e função desempenhada pelos castelos e fortificações da região. 

Após a fase de afirmação dos poderes senhoriais das principais linhagens, fortemente ligada ao controlo e posse de castelos, assistiu-se, entre a segunda metade do século XIII e os primeiros anos do século seguinte, a um vasto processo de reorganização territorial que deu origem à promoção de uma nova forma de habitat concentrado e fortificado, a vila, investida por iniciativa régia de funções de capitalidade sobre um território mais ou menos vasto, o respectivo termo.

No novo modelo de organização do território cada vila recebeu geralmente como termo uma área que podia ser coincidente com a antiga Terra, resultar da integração de várias destas antigas circunscrições ou do seu desmembramento. Promovido e incentivado pelos monarcas, este modelo de ordenamento do espaço, que não é exclusivo e convive com outros, de natureza senhorial, com os quais se geram frequentes conflitos, adapta-se melhor a uma organização socio-política e económica em que as actividades artesanais e o desenvolvimento do comércio ganham um peso crescente. 

Ele reflecte também uma conjugação mútua de interesses em que o poder régio se afirma perante as comunidades de homens livres, subtraindo-os da órbita de outros poderes senhoriais, tendo como contrapartida o reconhecimento e garantia, por parte do monarca, dos direitos e organização tradicional destas comunidades. 

Não foi um processo simples nem linear e teve muitas cambiantes no tempo e no espaço. Na área duriense, os resultados foram desiguais devido a diversos factores, entre os quais o diferente peso e poder das comunidades concelhias pré-existentes, a menor ou mais intensa senhorialização laica ou eclesiástica que serviu frequentemente como obstáculo à constituição e afirmação de comunidades fortes e organizadas, ou ainda o próprio índice de ocupação do espaço, traduzido numa maior concentração ou dispersão do habitat.

Na região do Alto-Tâmega, onde se consolida a constituição da fronteira norte do Reino, afirmam-se dois centros importantes que irão polarizar a organização dos territórios baixomedievais: as vilas fortificadas de Chaves e de Monforte de Rio Livre. Esta encontrava-se já perfeitamente estabelecida em 1273. A primeira conheceu vicissitudes que em parte desconhecemos, principalmente na fase inicial do processo, anterior a 1258. Alude-se a uma tentativa efémera de constituição de uma Póvoa de Santo Estêvão de Chaves cujos vestígios julgamos ter identificado numa área situada entre o Castelo de Santo Estêvão de Chaves e a actual cidade (TEIXEIRA, 1996; 2002).


Em 1258 a vila de Chaves aparece já em coincidência topográfica com a antiga AquaeFlaviae, mas o seu termo era ainda extremamente reduzido, confinando-se a uma pequena faixa situada na margem direita do Tâmega, aproximadamente equivalente às actuais freguesias de Outeiro Seco, Curalha e Redondelo. 

É provável que a ampliação do termo se tenha verificado ainda no reinado de D. Afonso III, integrando-se nele o território de Montenegro – que ainda aparece com autonomia em 1258. 

Porém só no reinado seguinte, em 1304, ficará o território de Montenegro definitivamente integrado no termo de Chaves, após um período de conflitos e negociações que acabou por inviabilizar o sucesso de uma vila urbana que chegou a estar criada naquele espaço – Vila Boa de Montenegro. A partir de então Chaves irá afirmar-se cada vez mais como fortificação avançada – e mais tarde como praça-forte – situada na primeira linha de uma fronteira que a monarquia portuguesa pretendia consolidar.

http://www.arte-coa.pt/Ficheiros/Bibliografia/1528/1528.pt.pdf

NB --> ler anteriormente a partir página 48 -> começando no parágrafo " Relativamente a Chaves o panorama não é muito diferente." ...



Contribuidor Zeca Soares


Colheita de 2013 Trás os Montes




O vinho tem destas coisas, alegra-nos a alma e cansa-nos o corpo, mas a recompensa vale todo o esforço, quando finalmente se enchem as pipas com a canseira do ano.
Apontando o densímetro para um teor de açúcar a rondar a marca 8, estava na altura de encubar. Talvez mais um dia de lagar não lhe fizesse mal, mas teve que ser.
Dir-se-ia que se fechou o ciclo, mas tal não é verdade. Na realidade o ciclo do vinho não dura um ano, havendo sobreposição de  atividades de uma colheita com a posterior.
A deste ano já está nas pipas, mas o trabalho continua. Depois de fazer a aguardente do bagaço, serão feitas as análises, lá para fevereiro, ao que se seguirá a trasfega e, correndo bem, terminará então aí a época.
Tchim! Saúde, viva a colheita de 2013, já é uma certeza.

Armando Sena

Origens Trás os Montes




A iniciativa de fazer vila em Trás os Montes na idade media



"Mando fazer villa no lugar de ..." é a expressão que tão frequentemente vemos utilizada em cartas expedidas pelas chancelarias de D. Afonso III e D. Dinis assinalando o local e a vontade régia na criação de um novo núcleo urbano. 

Se fazer villa tinha, obviamente, um significado demográfico de incremento do povoamento, é numa multiplicidade de outros significados que adquire toda a sua dimensão histórica de modo de reorganização e hierarquização de um território já povoado e portanto, de criador do espaço de exercício do poder da Monarquia emergente.

Os principais e mais dinâmicos novos núcleos urbanos, então criados em Trás-os-Montes e no Vale do Douro, mostram uma intenção e plano que decorre do poder régio, são os centros estruturadores do território, como Bragança, Vila Real, Chaves ou Miranda do Douro. 

Noutros exemplos, observamos uma persistente atenção régia na reorganização de um território específico, no interior do qual se sucede mas iniciativas conducentes à criação dos novos centros durante um espaço de tempo relativamente curto. São os casos de Mirandela, Torre de D. Chama e Lamas de Orelhão que emergem na antiga terra de Ledra sob a acção de D.Dinis ou das vilas de Torre de Moncorvo, Vila Flor e Alfândega da Fé que, igualmente sob iniciativa de D. Dinis, reorganizam o anterior termo da Santa Cruz da Vilariça entre1285 e 1295. 

Porém, casos há em que a iniciativa parece estar mais do lado das comunidades, as quais procuram no rei apenas um apoio necessário. Estes casos, em que a primeira iniciativa parece pertencer às comunidades, surgem mais frequentes num momento tardio, talvez mostrando comunidades que teimavam em não ficar de fora do processo global de redistribuição do poder sobre o território. Verifica-se também serem muitas vezes votados ao fracasso como sucede com São João da Lomba (actual concelho de Vinhais) ou Vila Boa de Montenegro (actual concelho de Chaves).

A escolha de uma nova implantação e a construção da cerca e do castelo. 
Fazer vila obrigava na maior parte dos casos à escolha de uma nova implantação. Escolhem-se então locais que, para além de mostrarem favoráveis condições naturais de defesa, se procura destacados, facilmente identificáveis à distância e possuindo amplo controlo visual do espaço envolvente, características adequadas a um centro de território. Implantações de altura portanto, porém, oferecendo amplas plataformas capazes de albergar áreas de habitação suficientemente dimensionadas a uma população que se pretendia numerosa, rodeadas obrigatoriamente por um muro de cerca. 

A expressão fazer vila, era sinónimo de fortificar uma povoação. A responsabilidade da construção das fortificações, obras que implicavam sempre uma larga despesa, só compatível com grandes disponibilidades financeiras, era do Rei. Em alguns casos, porém, em que a iniciativa da fundação da vila surgiu da parte das próprias comunidades, estas obrigaram-se a fazer "huma cerca de muro à ssa custa".

São exemplo desta situação as tentativas já referidas de criação da Vila Boa de Montenegro, em 1301, de São João da Lomba, em 1324, ou de Lamas de Orelhão no reinado de D. Sancho II. Ao facto de serem todas ensaios frustrados de fundação de novas vilas não será alheio o peso financeiro implicado nas obras de fortificação que se obrigavam a custear. A iniciativa régia surge bem documentada, por exemplo, quando D. Dinis decide recomeçar o repovoamento de Vila Real e lhe outorga em 1289 um novo foral. Faz então mencionar que a ele competia fazer "seu muro logo e bóó "para o guardar depois o "conçelho assy come costume do Reyno". 

Distingue-se também a construção, mais urgente e necessária, do muro da cerca da vila do castelo ou alcácer que, se o rei o quisesse fazer, deveria aí meter seu alcayde sendo que este nada teria a ver com a administração das justiças mas apenas e exclusivamente com guardar seu castelo. Idênticas disposições surgem no texto do novo foral outorgado pelo mesmo rei, apenas quatro anos depois, quando afirma "eu deuo fazer o muro da vila bóó e cercala toda" acrescentando de seguida que "sse perventura eu ou meus successores fezermos hy Alcacer devemos hy meter Alcayde que o guarde". Porém, ainda em 1304, não estava nem uma nem outra obra sequer começadas, declarando o mesmo rei D. Dinis que lhe ficava de "fazer o muro em essa vila quando o poder fazer querendo deus !"

Fonte ->  http://www.academia.edu/1005075/Tras-os-Montes_e_o_Alto_Douro_Da_Definicao_do_Territorio_da_Monarquia_na_Idade_Media_a_Secundarizacao_de_Um_Espaco_Regional

Contribuidor Zeca Soares


Vindima Trás os Montes




O São Pedro milagreiro, teve o dom de transformar alguma água em vinho. Quando já nada se esperava desta colheita, depois de forte trovoada e prolongada seca, eis que vêm uns dias de chuva, fazer o milagre da multiplicação ou, neste caso, da adição.
E assim, contrariamente ao que se esperava, a colheita foi abundante.
Não há nada mais generoso, apesar de inesperado, como a natureza: Sempre transforma em Certezas as colheitas mais Incertas.

Armando Sena

Origens Trás os Montes



FORMAÇÃO DO CONCELHO DE BRAGANÇA



O primeiro nome dado à área que formou o Concelho de Bragança foi Benquerença.
Esta vila, foi trocada por D. Sancho I (1174-1211) com o Mosteiro de Castro de Avelãs pelas vilas de Pinelo e Santulhão. Preocupado com a defesa e com a povoação do Nordeste do seu reino, outorgou o Foral de Bragança em 1187.

Por causa dos privilégios concedidos neste Foral, D. Dinis, passado um século, determinou que a maioria dos Concelhos criados ou reconhecidos na região de Trás-os-Montes, receberiam as mesmas prerrogativas para prosseguirem. Deviam ainda seguir o foro e o costume deste Concelho. O Concelho de Bragança estava isento do pagamento de maninhadêgos, que era o imposto devido pela morte do homem ou mulher que não tivesse feito testamento deixando a herança a algum parente, ou que não tivesse filho, ou seja, herdeiro direto. O juiz e o saião não podiam entrar no Concelho. Os habitantes deste Concelho, para além do estritamente devido, não estavam obrigados a reverenciar nem os Nobres e nem os Clérigos; estavam isentos do pagamento de portagem sobre os produtos que produzissem e os fossem comercializar em qualquer parte do reino, e ademais, com a intenção de o povoar, o Rei permitiu que “servos, homizias e adúlteros poderiam nele se refugiar, que não seriam perseguidos.

O Concelho recebeu, ainda, vários privilégios que mais tarde foram adotados pelos outros Concelhos das proximidades.
O estabelecimento de Concelhos no Nordeste trasmontano tinha como objetivo, para além do povoamento, de diminuir o poder dos Nobres, e em particular dos Clérigos na região.
O grande proprietário de terras nessa área era o Mosteiro de Castro de Avelãs. D. Dinis necessitava povoar a região, pois tratava-se de local fronteiriço e que requeria uma ocupação efetiva. Ao mesmo tempo, o Monarca necessitava consolidar o seu poder nessas terras em que os Clérigos eram os grandes responsáveis pelo início da sua ocupação.

Assim, era importante que o Monarca se preocupasse em diminuir o poder da Igreja na região e consolidasse o seu. O caminho encontrado para atingir os seus objetivos foi a criação de novos Concelhos e/ou o reconhecimento das comunidades existentes que já possuíam uma administração local. Essa administração podia ou não contar com o apoio dos Clérigos do Mosteiro de Castro de Avelãs.

Dessa forma, inicialmente o Monarca procedeu como D. Sancho I, ou seja, realizou algumas permutas de aldeias com o Mosteiro de Castro de Avelãs, para depois outorgar as Cartas Forais que tornavam as comunidades um pouco mais independentes das Outras Ordens. Mesmo que as aldeias viessem a voltar para o controle dos Clérigos, dificilmente seriam as mesmas, pois a introdução de práticas e costumes diferentes possibilitou a cristalização de novas características que seriam difíceis de serem alteradas.

Fonte -> http://pos-istoria.historia.ufg.br/uploads/113/original_FILHO___Fl_vio_Ferreira_Paes._1998.pdf


Contribuidor Zeca Soares


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